Atendendo a pedidos, publico foto de quando estava acima do peso. Abaixo conto a minha história, que é o primeiro post deste blog.
Desde criança, sempre fui magrinha. Minha mãe costumava dizer que eu "comia como um passarinho". Sentava à mesa para almoçar ou jantar com minha família, mas, geralmente, era a última a terminar a refeição. Eu não gostava muito de comer comida, principalmente. Enrolava tanto que a refeição até esfriava e tinha de "raspar o prato" assim mesmo.
Em uma determinada época, eu realizava várias atividades, por minha própria escolha: escola, datilografia, inglês, alemão e ainda estudava ballet em dois lugares. Acabava nem tendo tempo de almoçar entre a ida de uma escola de dança a outra. Então, levava fruta e esse era o meu almoço. Acabei emagrecendo, sem querer, mas me sentia bem assim, mais leve e estava saudável.
Sempre gostei de comer doces, mas nesse período percebi que comecei a consumir mais, especialmente na parte da tarde. Acredito que por querer compensar sentimentos internos conflitantes e incompreendidos com algo macio, saboroso, que me proporcionasse sensação prazerosa e agradável.
No último ano do colegial - como era chamado na época em que estudava – eu estava com 17 anos de idade. A preocupação com os estudos começou a ficar de lado e aos poucos fui engordando...
Acabei tendo que deixar o ballet para trabalhar e pensar em fazer uma faculdade. Tinha receio de engordar por ficar sem a dança e engordei. Durante um tempo até pensei que fosse por ter deixado o ballet, mas já estava engordando no último ano de dança e depois compreendi que esse não era o real motivo.
Foi passando o tempo e de 42 kg cheguei a 60 kg, com 1,52 que tenho. Comecei a ter dores no joelho pelo excesso de peso, sentia cansaço ao subir escadas e vergonha de sair na rua. Quando encontrava alguém que havia me conhecido magra, mudava de calçada para não ser reconhecida. Tinha vergonha do que havia me transformado.
Acordava pensando em comida, passava o dia inteiro comendo e até sonhava com alimentos. Comer me aliviava e me torturava ao mesmo tempo, porque a sensação de culpa após a compulsão alimentar era quase insuportável.
Muitas vezes comia até não agüentar mais, geralmente quando estava sozinha, de maneira rápida, grotesca, e dizia pra mim mesma que sempre seria a última vez, mas acabava recomeçando o ciclo no dia seguinte. Escondia comida no guarda-roupa, debaixo da cama, vivia com doces na bolsa. Ia ao supermercado e gastava um valor alto somente com besteiras (sorvetes, bolachas, chocolates etc.). Acabava comendo até o que não gostava.
Na frente das pessoas quase não comia e tentava me controlar um pouco. Também, geralmente estava empanturrada do que havia comido anteriormente.
Dois momentos foram importantes para eu começar a ter noção do que estava fazendo comigo mesma. Um deles foi quando uma pessoa conhecida minha disse que havia comentando de mim para um colega nosso, que disse algo assim: “Ah, aquela gordinha?”... Minha gordura havia virado referência. “Eu, gordinha?”, foi o fim.
O segundo momento: estava vendo algumas fotos de um lugar onde fui com alguns colegas. Especialmente em uma delas vi uma menina de costas que não reconheci e achei estranho porque não a tinha visto no local e nem sabia quem era. Estava quase perguntando para a pessoa que me trouxe as fotos quem era aquela garota, quando tive uma sensação estranha, quase como um susto, e me reconheci, era eu que estava daquele tamanho na foto!
Ao todo foram sete anos com excesso de peso e um kit completo de tentativas frustradas para emagrecer:
- várias dietas até não suportar mais viver de saladas e coleção de regimes que as pessoas me falavam ou que eram publicados em revistas;
- idas e vindas a endocrinologistas, com remédios que me tiravam a fome e levavam junto a vontade de viver, até injeções doloridas para diluir as gorduras;
- exercícios em excesso - em um mês de férias vivi praticamente dentro da academia e emagreci 7 kg, mas os adquiri rapidamente depois;
- participação em vários grupos para emagrecer;
- uso abusivo de laxantes;
- jejuns;
- tentativa de me tornar bulímica, felizmente frustrada;
- terapia etc.
Enfim, não suportava mais viver dentro de meu próprio corpo. Pensei em desistir e aceitar toda aquela gordura, para poder ter um pouco de trégua. Mas, entregar a minha vida daquela forma era não lutar por algo que era capaz de ter e ser. Sabia disso.
Então, a busca pelo emagrecimento definitivo continuou. Até que por meio da compreensão do porquê de ter engordado, como agia para continuar gorda e o que precisava fazer para emagrecer, meu objetivo foi se tornando realidade. Emagreci de dentro para fora. Não foi fácil, nem rápido, mas possível. Eliminei ao todo 18 kg.
Neste ano comemoro quatorze anos que sou magra novamente e feliz por ter mostrado a mim mesma que é possível comer de tudo e estar em paz com a balança.
Forte abraço!
Roberta Alves
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